
Imagem de Euronews
Jorge Palma morreu aos 76 anos, deixando para trás mais de cinco décadas de música e um conjunto de canções que se tornaram parte da memória coletiva portuguesa.
A música portuguesa perdeu uma das suas figuras mais marcantes. Jorge Palma morreu na noite de segunda-feira, 21 de setembro, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. A morte foi anunciada pela família e pela agência do músico.
Cantor, compositor, pianista e autor de algumas das canções mais reconhecidas da música portuguesa contemporânea, Jorge Palma construiu uma carreira de mais de meio século, marcada por uma escrita profundamente pessoal e por uma relação muito própria com o piano, o rock e a música popular.
Nascido em Lisboa, em 1950, começou a estudar música ainda criança, ingressando no Conservatório de Música de Lisboa aos dez anos. Depois de uma primeira formação ligada à música clássica, aproximou-se do pop e do rock e iniciou um percurso que acabaria por atravessar diferentes épocas e gerações.
A sua carreira a solo começou oficialmente em 1972, com a gravação do single The Nine Billion Names of God. Depois de um período passado fora de Portugal, regressou ao país após o 25 de Abril e, em 1975, editou o primeiro álbum, Com uma Viagem na Palma da Mão.
Seguiram-se décadas de criação e discos que se tornaram referências da música portuguesa, entre eles O Lado Errado da Noite, Quarto Minguante, Bairro do Amor e Só. Temas como “Deixa-me Rir”, “Frágil”, “Dá-me Lume”, “Encosta-te a Mim”, “Estrela do Mar”, “Bairro do Amor” ou “A Gente Vai Continuar” permaneceram muito para além do tempo em que foram escritos.
Uma carreira feita de liberdade
Jorge Palma nunca ficou limitado a um único formato ou geração. Para além da carreira a solo, integrou ou participou em projetos como Palma’s Gang, Rio Grande e Cabeças no Ar, colaborando ao longo dos anos com numerosos músicos portugueses.
Em 1991, Só mostrou talvez uma das formas mais puras da sua música: Jorge Palma, a voz e o piano. O disco recuperou temas anteriores e ajudou a apresentar a sua obra a uma nova geração.
Já no século XXI continuou a editar e a atuar regularmente. Voo Nocturno, lançado em 2007, tornou-se outro dos pontos importantes da sua discografia, seguindo-se Com Todo o Respeito, em 2011. O último álbum de originais, ** VIDA **, chegou em 2023.
Em 2025 estreou ainda 3 Palmas na Mão, espetáculo em que dividia o palco com os filhos Vicente e Francisco Palma. Em abril de 2026, poucos meses antes da sua morte, recebeu o Prémio Carreira dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa.
Ao longo do percurso recebeu várias distinções, entre elas o Prémio José Afonso e o Prémio Pedro Osório. Em 2020 foi também distinguido como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
As canções ficam
A notícia da morte provocou inúmeras manifestações públicas de pesar. O Presidente da República recordou Jorge Palma como um dos grandes poetas da música portuguesa e destacou a forma como as suas canções marcaram várias décadas e gerações.
Talvez seja precisamente aí que melhor se percebe a dimensão da obra de Jorge Palma.
As suas músicas falaram de amor e desamor, liberdade, noites, excessos, fragilidade, sonhos e inquietações. Algumas foram escritas há várias décadas e continuam, ainda hoje, a encontrar novos ouvintes.
Jorge Palma partiu aos 76 anos. Ficam mais de cinquenta anos de música, milhares de concertos e, sobretudo, as canções.
Porque, como escreveu e cantou tantas vezes ao longo da sua vida, a gente vai continuar.
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